Selecionei um trecho do testemunho de William Schnoebelen, um ex-satanista, de sua conversão ao evangelho. Leia:
Nossa mudança deve ter sido o que o Espírito Santo estava planejando no segundo dia após minha chegada a Dubuque. Colocaram um folheto à nossa porta, anunciando um Semináro sobre Profecias, que seria realizado num parque da cidade. Sabia que não era um evento mórmon, mas eu havia dedicado muito tempo estudando o livro de Apocalipse, principalmente por causa do curso de Novo Testamento que teria de ministrar. Achei, também, que possivelmente ali teria uma oportunidade de ganhar algumas pessoas para a Igreja Mórmon. Afinal, eu pertencia a uma Igreja dirigida por um "profeta vivo".
Depois de assistir às reuniões algumas noites, comecei a sentir uma estranha excitação no meu coração. O pregador era alguém que citava passagens e mais passagens da Bíblia, e algo que me atingiu foi quando ele falou sobre o sangue de Jesus. Finalmente, abordei o mais jovem dentre os dois pregadores que estavam dando o seminário e procurei convencê-lo da doutrina mórmon. Eu queria convencê-lo de que, para alguém receber o batismo, era necessário uma autoridade sacerdotal para ministrá-lo. Essa questão da autoridade, segundo os mórmons, era vital, argumentando eles que os protestantes e toda sua "laia" ficaram numa terrível situação, que os levaria à morte, por não terem sacerdócio. Finalmente, perguntei-lhe como tinha recebido autoridade para batizar. Com um bondoso sorriso, ele simplesmente me respondeu:
_ Recebi de Jesus Cristo, como todo cristão a recebe.
Então, citou Atos 16:31, dizendo que nem mesmo o batismo era necessário para ser salvo:
"Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa." (Atos 16:31)
Esta passagem bíblica penetrou a fortaleza do meu testemunho mórmon como um foguete Exocet, detonando todas as minhas defesas. Aquilo não saía da minha cabeça durante todo o tempo em que voltava para casa naquela noite:
"E se ele estiver certo?... É tão fácil assim?" Era um pensamento que me incitava.
Senti-me como um condenado que apenas ouve o rumor de que pode vir a ser perdoado. Meu coração não ousava a se arriscar.
E se aquela palavra não fosse verdadeira e os mórmons estivessem com a razão? Eu poderia crer naquela palavra, ou teria de descartá-la?
Como precisava garantir meu sustento, comecei a procurar emprego. Tive pouco sucesso, de modo que em todo o meu tempo livre voltei a trabalhar com um livro que resolvera escrever para provar a verdade do mormonismo. Essa minha ocupação me fazia esquecer temporariamente do testemunho que eu tinha acabado de receber. A palavra, porém, aninhou-se silenciosamente em meu coração, como uma semente.
Concluí vários capítulos do meu livro e dei início a um capítulo sobre os antecedentes pagãos da Igreja Católica. Então, num lampejo, lembrei-me daquelas revistas em quadrinhos cristãs, pois mencionavam a Igreja Católica. Eu as li e observei, com grande interesse, todas as questões que me seriam úteis ao escrever o capítulo sobre o catolicismo. Uma vez mais, porém, senti uma palpitação de esperança ao ler a "versão protestante" do evangelho. Parecia fácil demais! Boa demais para ser verdade!
Verifiquei que poderia fazer um pedido de publicações diversas àquela editora, e assim fiz. Quando chegaram os livros, revistas e folhetos que encomendara, os "devorei" com avidez. Constatei, então, que despertavam certas percepções nada agradáveis em meu coração. Aqueles livros apresentavam uma doutrina que eu nunca ouvira antes, exceto com conotação totalmente depreciativa. O que eu li foi que uma pessoa pode ser salva apenas em confiar em Jesus Cristo, e que sacramentos, templos, rituais ocultistas, sacerdócios, tudo isso é totalmente desnecessário - e até mesmo pernicioso - para você ter a vida eterna.
Fiquei meditando sobre isso por um bom tempo, mas tive que parar um pouco com minha pesquisa. Consegui um trabalho de vendedor de aspiradores de pó, como autônomo. Durante semanas, eu me excedi nesse trabalho, mas não conseguia vender nada, e estava gastando um bom dinheiro com gasolina, indo por toda parte da cidade. Enquanto dirigia, porém, tive bastante tempo para pensar e orar. Passei por zonas rurais, locais de uma natureza fascinante naquele início de verão, e orei pedindo por orientação. Passei também em frente de pequenas igrejas do interior e, em vez de um condescendente escárnio de outrora, olhei atentamente para elas, como se fossem um tesouro raro que, de algum modo, eu tinha necessidade.
Secretamente, em meu coração, era aquilo que eu queria. O sonho que eu tinha tido, quando desci a montanha em diração àquela igrejinha que cantava o hino evangélico, estava o tempo todo em minha mente.
Li, então, Romanos com muita ansiedade, comparando-o com o que os folhetos e os livros me diziam. Vi como tudo era tão simples. Li e reli várias vezes, e comecei a jejuar e orar para ter certeza de que esta era, de fato, a verdade.
Quatro dias depois, decidi tentar ma abordagem diferente. Peguei uma daquelas revistas cristãs em quadrinhos. É que me lembrei de que, na última página, havia uma oração específica para receber Jesus como Salvador e Senhor.
Dobrei-me e, ajoelhado ao lado de minha cama, fiz aquela oração com todo o meu coração. Inclusive dei uma paradinha e retirei, naquela hora, a vestimenta mórmon que usava por baixo da roupa, para que não houvesse nenhuma "interferência espiritual" em minha oração. Confessei ao Senhor que eu era de fato um pecador, talvez o principal dos pecadores (veja Romanos 3:23). E com sinceridade renunciei os meus pecados e me arrependi (Lc 13:5), confessando que Jesus Cristo morreu na cruz por meus pecados e ressuscitou dos mortos para que eu pudesse ter vida eterna (Rm 10:9,10). Pedi a Jesus que me salvasse de meus pecados (Rm 10:13) e passasse a ser o Senhor absoluto da minha vida (Rm 12:1,2).
Não ouvi nenhum coro celestial cantar naquele momento. Mas senti, de fato, uma tranquilidade e uma paz extraordinária vindo sobre mim; uma paz que até agora flui de meu interior quando escrevo estas linhas, anos depois! Era uma paz como nunca antes, mas nunca mesmo, eu tinha experimentado, em mais de 30 anos de vida. Antes eu nem mesmo sabia quão vazio estava, até o momento em que me enchi desta paz.
Trecho retirado do livro Lúcifer Destronado - Editora Danprewan - páginas 291 à 294